
| Even though a cloud's white curtain in a far-off corner flashed |
| An' the hypnotic splattered mist was slowly lifting |
| Electric light still struck like arrows, fired but for the ones |
| Condemned to drift or else be kept from drifting |
| Tolling for the searching ones, on their speechless, seeking trail |
| For the lonesome-hearted lovers with too personal a tale |
| An' for each unharmful, gentle soul misplaced inside a jail |
| An' we gazed upon the chimes of freedom flashing. |
| Apesar de uma cortina branca de nuvens brilhar ao longe |
| E do nevoeiro hipnótico ir subindo lentamente, |
| As luzes dos raios eram como flechas, disparadas para todos, menos para aqueles |
| Condenados a vagar ou então, até disso, impedidos. |
| Os sinos dobravam para os que procuram algo, em sua trilha silenciosa |
| Para os amantes de coração solitário com suas histórias muito pessoais |
| E para cada alma gentil e inofensiva, deslocada em uma cela. |
| E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade. |
Muita coisa mudou.O centro da cidade do Rio de Janeiro é agora um grande deserto de pedra. Aqui e ali, algumas fogueiras e acampamentos improvisados debaixo de marquises de edifícios ou em carros abandonados no meio da rua. Quase não vimos pessoas. A maioria provavelmente estava na catedral.
O céu não é mais azul, e agora é sempre noite. De vez em quando, auroras boreais mancham o espaço até onde podemos enxergar.
Estamos em frente à fonte de uma dessas auroras.
Antigamente — nos tempos da nossa civilização — ela era a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. Nunca fui religioso, mas seu tamanho impunha um certo respeito até mesmo para mim.
Mas agora a coisa é diferente. De dentro da Catedral vem um brilho difuso, que sai como se ferisse o edifício, dardos de luz que, do lado de fora, se juntam e envolvem a Catedral de forma que não conseguimos distinguir seus contornos físicos. Como se ela fosse se dissolver em luz. Como um Iluminado.Estou com medo.
Olho para os outros, os que tiveram coragem de vir. Somos seis. Vestidos com roupas de campanha que consegui com uns contatos no Exército, os rostos sujos de fuligem para camuflar, armados até os dentes. Seis Rambos perdidos na escuridão da noite do Rio. Seis hipócritas apavorados.
— É o fim do mundo — murmurou um que estava ao meu lado.
Tive vontade de dizer que ele era um babaca e que calasse a boca, mas não consegui. Tive medo de admitir que, de certa forma, ele tinha razão. O mundo nunca mais ia voltar a ser como antes. Então, para que lutar ?
A menina ao meu lado me deu a resposta que eu precisava.
— Eles não tinham o direito ... — e começou a chorar baixinho.
Eu não soube o que dizer, e na duvida não disse nada. Passei a mão de leve nos seus cabelos e lembrei daquelas noites de violão, cerveja e ociosidade; não nos preparamos um décimo do que devíamos (eita resistenciazinha bunda!); lembrei dela e da calma daqueles dias. Dias em que esquecemos quase totalmente o sentido da nossa luta, e a verdadeira condição em que a Terra se encontra.
Por causa dos alienígenas e das suas naves-carrilhão.
Por causa das suas malditas catedrais. Por causa da sua interferência...
Ah, não, disse comigo mesmo. Não vou lhes dar o prazer de desistir dessa luta. Mesmo que eu morra tentando.
Olhei o relógio. O prazo de duas horas que havíamos dado aos companheiros que tomaram a pílula do Maia acabou. Não confiei naquele sujeito desde o começo e acho que agora tenho motivos concretos.
Bom, agora é tarde.
— Quem vem comigo ? — perguntei, enquanto engatilhava minha escopeta.
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