
| Through the mad mystic hammering of the wild ripping hail |
| The sky cracked its poems in naked wonder |
| That the clinging of the church bells blew far into the breeze |
| Leaving only bells of lightning and its thunder |
| Striking for the gentle, striking for the kind |
| Striking for the guardians and protectors of the mind |
| An' the unpawned painter behind beyond his rightful time |
| An' we gazed upon the chimes of freedom flashing. |
| Pelo martelar místico e louco da tempestade selvagem |
| O céu chicoteava seus poemas em maravilha pura |
| Que o som dos carrilhões das igrejas sumia longe na brisa |
| Deixando apenas os sinos dos trovões e relâmpagos |
| Os sinos dobravam para os gentis, dobravam para os bondosos |
| Para os guardiões e protetores das mentes |
| E para o pintor independente que sobrevive além de seu tempo |
| E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade. |
O Conto
OS SINOS DA LIBERDADE
(terceira estrofe - Sérgio Fonseca de Castro e Annieliese Carreiro de Castro)— Tudo bem, Sérgio ?
A pergunta bateu em mim como um tapa, fazendo-me voltar ao mundo real. Virei-me e sorri para a jovem, parada ansiosa perto da escada externa.
— Tudo bem moça. Não se preocupe comigo, estava apenas pensando, longe. Pode voltar para o grupo, daqui a pouco eu vou também.
Ela fez uma cara de não muito convencida, como querendo dizer algo, mas parou no meio do caminho como se tivesse pensado melhor no assunto e decidido não se meter. Apenas suspirou e disse:
—O.K.! Mas qualquer coisa chame, tá ?
— Certo ... certo ... se os sinos atacarem podem deixar que eu grito, brinco. Ela fez cara feia no espírito da brincadeira.
— Gracinha! Pelo menos seria uma mudança no marasmo ...
— Eu nunca brinco com estas coisas, respondi num ar de quem está dizendo exatamente o contrário.
Ela sorri enquanto desce a escada de tijolos ainda não emboçados.
Volto a me acomodar na posição anterior e a olhar as estrelas brilhando no céu, transmitindo-nos suas mensagens que nos desafiam, um desafio que a humanidade sempre sonhou sobrepujar, pelo menos até a chegada dos malditos sinos.
Ainda não me animo a descer, o copo vazio na mão, parado no terraço cheio de sombras, banhado pelo luar. No horizonte, em direção à praia pode-se ver as luzes piscarem furiosas, uma manifestação dos "sinos", o que nos mantém aqui à espera ...
O violão começa lá embaixo, e depois virá a cantoria, pelo menos o moral do grupo está alto, meus guerreiros do amanhã, movidos a raiva, esperança e cerveja. Mais uma vez rememoro os eventos desde nosso primeiro e mais mortífero ataque aos "sinos", já nem mais os chamamos de "naves-carrilhão" como no exército mas sim pelo seu nome popular. Teríamos sido Marcos e eu os responsáveis pela aceleração dos acontecimentos? Não sei e temo que dificilmente saberei. Mas após o ataque o caos se espalhou quando o gigantesco bater de horas, então ouvido por nós, foi repetido pelas naves-carrilhão ao redor do planeta, com efeitos notáveis nas multidões de "iluminados". Em muitos pontos do globo houve violência, mas esta logo diminuiu de intensidade, o pior efeito foi o do colapso das comunicações, e o fim da internet e das outras redes de dados, base da economia e administração de nossa frágil civilização.
Todos perdemos nossas referências de vida, enquanto aqueles que se julgavam injustiçados, fracos, miseráveis, os "gentis incompreendidos", triunfaram e se tornaram os arautos da nova sociedade, os adoradores dos sinos em busca da Iluminação.
Sobramos nós, os da resistência, e nem sabemos a que estamos resistindo. Mas continuamos indo em frente com nossa crença, errada ou não, da humanidade ter o direito de decidir seu próprio destino, glória ou queda.
Como um dos mais experientes do movimento, coube-me comandar uma célula e treiná-la; estamos treinados e armados a esperar e observar. Estranho grupo este, fruto da mudança dos tempos, os órfãos da queda da civilização cuja morte reuniu : eu, um ex-militar, um gerente de central de processamento de dados, uma programadora de computadores, um médico sempre a reclamar de não tratar de sua especialidade, um administrador de empresas, um jornalista irônico com uma paixão por trocadilhos e um músico.
É melhor descer antes que os outros fiquem preocupados, e também aproveitar momentos como este. A qualquer momento pode chegar uma mensagem de Marcos e então não teremos tempo para mais nada.
Começo a descer as escadas e lanço um último olhar para as luzes no céu e no horizonte. Posso não saber por quem os "sinos" dobram, mas sei que não dobram por mim ...