Terceira estrofe

A terceira estrofe foi desenvolvida por um casal, Sérgio Fonseca de Castro, administrador de empresas e sua esposa Cristina Annieliese Carreiro de Castro, programadora.


Through the mad mystic hammering of the wild ripping hail
The sky cracked its poems in naked wonder
That the clinging of the church bells blew far into the breeze
Leaving only bells of lightning and its thunder
Striking for the gentle, striking for the kind
Striking for the guardians and protectors of the mind
An' the unpawned painter behind beyond his rightful time
An' we gazed upon the chimes of freedom flashing.
 
Pelo martelar místico e louco da tempestade selvagem
O céu chicoteava seus poemas em maravilha pura
Que o som dos carrilhões das igrejas sumia longe na brisa
Deixando apenas os sinos dos trovões e relâmpagos
Os sinos dobravam para os gentis, dobravam para os bondosos
Para os guardiões e protetores das mentes
E para o pintor independente que sobrevive além de seu tempo
E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade.
O Conto
OS SINOS DA LIBERDADE
(terceira estrofe - Sérgio Fonseca de Castro e Annieliese Carreiro de Castro)

— Tudo bem, Sérgio ?

A pergunta bateu em mim como um tapa, fazendo-me voltar ao mundo real. Virei-me e sorri para a jovem, parada ansiosa perto da escada externa.

— Tudo bem moça. Não se preocupe comigo, estava apenas pensando, longe. Pode voltar para o grupo, daqui a pouco eu vou também.

Ela fez uma cara de não muito convencida, como querendo dizer algo, mas parou no meio do caminho como se tivesse pensado melhor no assunto e decidido não se meter. Apenas suspirou e disse:

—O.K.! Mas qualquer coisa chame, tá ?

— Certo ... certo ... se os sinos atacarem podem deixar que eu grito, brinco. Ela fez cara feia no espírito da brincadeira.

— Gracinha! Pelo menos seria uma mudança no marasmo ...

— Eu nunca brinco com estas coisas, respondi num ar de quem está dizendo exatamente o contrário.

Ela sorri enquanto desce a escada de tijolos ainda não emboçados.

Volto a me acomodar na posição anterior e a olhar as estrelas brilhando no céu, transmitindo-nos suas mensagens que nos desafiam, um desafio que a humanidade sempre sonhou sobrepujar, pelo menos até a chegada dos malditos sinos.

Ainda não me animo a descer, o copo vazio na mão, parado no terraço cheio de sombras, banhado pelo luar. No horizonte, em direção à praia pode-se ver as luzes piscarem furiosas, uma manifestação dos "sinos", o que nos mantém aqui à espera ...

O violão começa lá embaixo, e depois virá a cantoria, pelo menos o moral do grupo está alto, meus guerreiros do amanhã, movidos a raiva, esperança e cerveja. Mais uma vez rememoro os eventos desde nosso primeiro e mais mortífero ataque aos "sinos", já nem mais os chamamos de "naves-carrilhão" como no exército mas sim pelo seu nome popular. Teríamos sido Marcos e eu os responsáveis pela aceleração dos acontecimentos? Não sei e temo que dificilmente saberei. Mas após o ataque o caos se espalhou quando o gigantesco bater de horas, então ouvido por nós, foi repetido pelas naves-carrilhão ao redor do planeta, com efeitos notáveis nas multidões de "iluminados". Em muitos pontos do globo houve violência, mas esta logo diminuiu de intensidade, o pior efeito foi o do colapso das comunicações, e o fim da internet e das outras redes de dados, base da economia e administração de nossa frágil civilização.

Todos perdemos nossas referências de vida, enquanto aqueles que se julgavam injustiçados, fracos, miseráveis, os "gentis incompreendidos", triunfaram e se tornaram os arautos da nova sociedade, os adoradores dos sinos em busca da Iluminação.

Sobramos nós, os da resistência, e nem sabemos a que estamos resistindo. Mas continuamos indo em frente com nossa crença, errada ou não, da humanidade ter o direito de decidir seu próprio destino, glória ou queda.

Como um dos mais experientes do movimento, coube-me comandar uma célula e treiná-la; estamos treinados e armados a esperar e observar. Estranho grupo este, fruto da mudança dos tempos, os órfãos da queda da civilização cuja morte reuniu : eu, um ex-militar, um gerente de central de processamento de dados, uma programadora de computadores, um médico sempre a reclamar de não tratar de sua especialidade, um administrador de empresas, um jornalista irônico com uma paixão por trocadilhos e um músico.

É melhor descer antes que os outros fiquem preocupados, e também aproveitar momentos como este. A qualquer momento pode chegar uma mensagem de Marcos e então não teremos tempo para mais nada.

Começo a descer as escadas e lanço um último olhar para as luzes no céu e no horizonte. Posso não saber por quem os "sinos" dobram, mas sei que não dobram por mim ...

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