
| Far between sundown's finish an' midnight's broken toll |
| We ducked inside the doorway, thunder crashing |
| As majestic bells of bolts struck shadows in the sounds |
| Seeming to be the chimes of freedom flashing |
| Flashing for the warriors whose strength is not to fight |
| Flashing for the refugees on the unarmed road of flight |
| An' for each an' ev'ry underdog soldier in the night |
| An' we gazed upon the chimes of freedom flashing. |
| Bem depois do por do sol, antes do badalar pungente da meia noite |
| Nos atiramos pelo umbral da porta em meio a trovões que desabavam |
| Enquanto os sinos majestosos dos raios lançavam sombras nos sons |
| Como se fossem os sinos da liberdade cintilando |
| Cintilando pelos guerreiros cuja força está em não lutar |
| Cintilando pelos refugiados em seu caminho indefeso de fuga |
| E para cada soldado oprimido naquela noite |
| Olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade. |
O Conto
OS SINOS DA LIBERDADE
(primeira estrofe - Rubenildo Barros)O mínimo que se podia chamar aquela noite, era de fantasmagórica. Ao nosso redor o céu vomitava trovões e relâmpagos como se o planeta inteiro sofresse de enjôo. Som e luz de tal forma se misturavam que cada clarão lançado pelos raios parecia projetar sombras sobre os sons dos trovões.
Nossa patrulha seguia um Iluminado que flutuava, acompanhando o movimento suave de uma nave-carrilhão pairando acima de nós. Aquilo contrastava com o furor da Natureza, como que ofendida por aquela aparente infração à Lei da Gravidade. Alheio a tudo, fechado em um universo próprio, o Iluminado vagava pelo ar, atendendo a um chamado que só ele ouvia, um boneco suspenso pelas mãos de um poder maior, que queríamos entender. Daí nossa presença seguindo aquele não-mais-humano.
De um lado Renato seguia, com sua câmara, os movimentos do Iluminado, enquanto do outro Marcos focalizava a nave-carrilhão, cujas luzes lembravam lâmpadas estroboscópicas. O som de carrilhões que a nave emitia, e que lhe dava o apelido, se misturava aos ruídos do vento, trovões e chuva.
— Chefe, olha! — gritou Renato.
A nave havia parado e suas luzes se tornaram mais brilhantes. O som de carrilhões aumentou de intensidade disputando, decibel a decibel, clarão a clarão, com a Natureza, a supremacia sobre nossos sentidos.
Eu já sabia o que estava prestes a acontecer e dei ordem para entrarmos na casa mais próxima. Carlos arrebentou a porta e nos lançamos umbral adentro, trovões desabando. Pela janela via-se o corpo do Iluminado vibrando e brilhando, como a querer acompanhar, ao mesmo tempo, o ritmo da nave e da tempestade. Bocas abertas, olhos esbugalhados, respiração presa, acompanhamos a transfiguração daquele corpo que se tornava luminoso, querendo romper as barreiras da carne e se juntar ao brilho da nave. Finalmente, num último clarão, a carne perdeu e o corpo, agora transformado em uma massa de luz suave e azulada, como uma nuvem luminosa, subiu lentamente em direção à nave que o recebeu como uma mãe recebe nos braços um filho correndo ao seu encontro. Após a fusão a nave lentamente acelerou e sumiu em meio à tempestade.
A voz embargada de Renato me chegou aos ouvidos.
— Parece até os sinos da liberdade brilhando.
Aquilo me fez o sangue subir.
— Não admito fanatismo! Já basta essa seita de fanáticos que acham que as naves são mensageiras de Deus escolhendo os que herdarão a Terra. Vou punir com rigor qualquer tentativa de transformar um fenômeno ainda não compreendido em religião. O planeta inteiro já está desorganizado demais e cabe a nós manter um mínimo de sanidade.
A verdade é que nem eu mesmo sabia mais o que pensar. Depois que os malditos alienígenas, ou sei lá o que são, chegaram, a civilização aos poucos se esfacelava.
— Renato, Marcos, gravaram tudo?
— Sim, chefe.
— Vamos voltar.
Pessoalmente sentia uma grande frustração. No fundo, gostaria de entender tudo aquilo. O que as naves queriam conosco, o que acontecia com os Iluminados, até onde tudo aquilo iria chegar. Era para tentar responder essas perguntas que estivéramos ali, seguindo o Iluminado e a nave. Depois que começamos a voltar, o som de carrilhões ainda ecoava em nossas cabeças, quem sabe, parecendo os sinos da liberdade, como Renato dissera, pelo menos para o que se tornara Iluminado.